Is this real?

Não podias ter ficado? Ficado por nós, ficado por mim. Podias ter ficado pelo nós que nunca existiu, pelo nós que quem sabe pudesse ter existido. Podias ter ficado pelo que tu significavas para mim, por aquilo que eu queria significar para ti.
Foi difícil ver-te partir, muito difícil. Parecia que a minha própria vida me estava a ser tirada quando me contaram. Parece que me arrancaram um pedaço do meu coração, um pedaço de mim. E este é um dos pedaços que eu nunca vou conseguir recuperar.
Preciso de ti, quero-te de volta. Sinto que não tivemos tempo nenhum juntos, não o suficiente. Às vezes chego a ter a sensação de que isto não é real. É real? Não me parece real.
Todos os textos que eu nunca escrevi sobre o quanto odiava que tu me tivesses deixado, sobre o quanto eu odiava ter sido substituída, não fazem sentido agora. Hoje sei que se não me falas, não é porque não queres. Não falas, porque não podes.
Pelo fim da nossa amizade, já não te culpo a ti, culpo-me a mim. Culpo-me a mim por não ter insistido mais, por não ter tentado compreender-te e lidar melhor contigo. Culpo-me por ter tido tantos ciúmes e não ter conseguido suportar ficar do teu lado. Culpo-me a mim por não termos tido mais tempo. Culpo-me a mim, e só a mim. Talvez se acreditasse em Deus, o culpasse a ele também. Mas não acredito e não ponho a culpa em cima de alguém que não a merece. Eu sou a única culpada. E podes ter a certeza de que me vou arrepender daquilo que fiz para o resto da minha vida.

Sempre tua, meu Fábio Ambrósio <3

Negação, revolta, barganha, depressão e aceitação

Estou a tentar arranjar a coragem necessária para te escrever, escrever sobre ti.

Vanished in the air

Sete horas da tarde e já nada se via, só as sombras dos nossos corpos de mãos dadas projectadas no chão. A única luz que nos iluminava era a dos candeeiros de rua existentes no caminho pelo qual passávamos. Tinha estado a chover toda a tarde e só agora tinha parado. Estava frio e nem o meu casaco novo ou o calor do teu corpo encostado ao meu me conseguia aquecer. O vento fazia voar o meu cabelo e deixava o meu pescoço a descoberto deixando-me ainda mais exposta à ventania que se estava a levantar por aquela altura.
As tuas mãos estavam geladas, ao contrário dos teus braços e do resto do teu corpo. Pareces um vampiro. Estavas constipado e quando te perguntei se tinhas frio, disseste que não. Estou bem assim. Continuámos a andar, sempre na mesma direcção, até que os candeeiros falharam e as luzes se apagaram.
Já não sentia os teus dedos entrelaçados nos meus, não sentia a tua mão gelada contra a minha. Já não te sentia. Tentei alcançar o teu corpo, mas já não estavas lá. Olhei para o chão e as nossas sombras tinham desaparecido. Normal, não havia luz. Gritei por ti, mas não me ouviste. Gritei de novo, e gritei outra vez. Gritei até ficar sem voz, mas já não estavas por perto.
A luz voltou, mas quando olhei para o chão, vi apenas a minha sombra. A tua já não me acompanhava. Tudo o que restava da tua presença era o cheiro do teu perfume no ar e na minha roupa. Nada podia fazer sem ser seguir em frente. Continuei então a andar sem nunca olhar para trás, porque o caminho ainda era longo. E sem ti, ainda mais.

Desta vez, não morro

Tu que dizias ser completamente apaixonado por mim, tu que dizias fazer qualquer coisa por mim, tu que disseste que eu era a pessoa mais importante da tua vida, que nunca tinhas amado alguém como me amavas a mim, tu que disseste que nunca ias deixar que nada nem ninguém destruísse a nossa relação, tu que disseste que nunca ias deixar de me amar; que disseste que nunca me ias voltar as costas, tu que disseste que querias construir um futuro comigo, tu que prometeste tudo aquilo que disseste, tu que duvidavas daquilo que eu também te prometia, que dizias falar a verdade, tu que disseste que só a ideia de me perder te sufocava, tu que disseste que eu te fazia o homem mais feliz do mundo, deixaste-me. Retiraste-me das tuas prioridades, da tua cabeça, do teu coração, mentiste-me, viraste-me as costas, quebraste as tuas promessas, e atiras-te fora a tua felicidade.
Não deixaste que nada nem ninguém destruísse a nossa relação, foste tu quem a matou.

Não queres o melhor?

"Não vamos ser parvos. Eu sei que consigo arranjar alguém melhor do que tu, e tu também sabes que consegues arranjar alguém melhor do que eu. Mas és tu quem eu quero!"

Chama-me o que quiseres. Mas para mim, não existe ninguém melhor do que tu.

How I wish I was her

Falar sobre relações passadas nunca é uma boa opção, mas a conversa surgiu na mesma. Estavas a falar e eu já estava mais do que perdida nos meus pensamentos.



- O R. está mesmo apaixonado. Até passa noites a chorar pela miúda e tudo, eu nunca o vi assim. Sempre teve a mania de brincar com os sentimentos das pessoas, e agora quem foi apanhado foi ele. Mas eu compreendo-o. A L. é mesmo alguém muito díficil de esquecer. Há uns três anos atrás, quando eu andei com ela e nós acabamos, não demorei só uma semana a esquecê-la como à S. Ainda andei cerca de um ano a bater mal, a pensar no que é que tinha feito de errado para a ter perdido. A L. é uma pessoa mesmo especial, capaz de marcar as outras em muito pouco tempo. É difícil não gostar dela.

Tu continuavas a falar, e eu já só pensava em como não te podia acompanhar. Não podia falar assim de nenhum dos meus ex-namorados, nem do J., que foi a única pessoa que eu amei a sério. Antes de ti, claro. E ele também era uma pessoa muito fácil de se amar, a personalidade dele cativava as outras pessoas. Mas o J. magoou-me muito, e isso não me deixa elogiá-lo agora.
Mais importante do que tudo isso, entristecia-me o facto de puder nunca vir a ter ninguém que fale de mim como tu falaste da L. A conversa surgiu e eu devia tê-la morto logo.

O caminho da vida

Conheço aquele caminho como a palma da minha mão. E mesmo assim, todas as vezes que lá passo, ele parece-me diferente. Já o percorri com os mais diversos objectivos, com os mais diversos pensamentos, com as mais diversas emoções. Já o fiz com um enorme sorriso estampado no rosto ou encharcada em lágrimas, querendo esquecer ou querendo recordar.
Percorri-o com passos apressados, por estar atrasada para um compromisso ou cheia de pressa para chegar a casa e descansar. Com passos lentos, querendo aproveitar cada milímetro daquele percurso, observando tudo aquilo que me rodeia.
Já fiz o caminho de ida e o de volta, atravessando sempre na passadeira ou atirando-me para a frente dos carros, olhando para o chão ou olhando para o céu, sozinha ou acompanhada. Já fiz aquele percurso com a companhia das mais diversas pessoas. Já passei por ali de muitas maneiras. Mas contigo... Contigo é sempre diferente.
Aquele caminho pertence-me, tal como tu.

Este blog dá vontade de abraçar.

Ora, este desafio foi-me passado pela DC.



O desafio consiste em dizer:
- Quem mais gostas de abraçar, no presente: A pessoa que todas as noites me rouba o sono.
- Quem nunca abraçarias: Pessoas por quem não nutro qualquer tipo de sentimento.
- A quem davas tudo para poder abraçar: Felizmente, os meus parentes mais próximos continuam vivos e continuo a poder abraçá-los sempre que quero. Por isso, talvez a Anna-Varney Cantodea ou mesmo a nossa querida Estrelinha* :)
- A quem davas o teu melhor abraço: Às pessoas que me são mais especiais quando elas se encontram mais em baixo.

...e passar o desafio a 6 blogues à tua escolha:
- Estrelinha*
- FénixCaída
- Flutua Comigo
- Pedro
- Sra. Muito me contas
- Patrícia

Os Cinco Sentidos

Eu sei que não tenho seguido a regra dos selos que me têm oferecido, mas hoje pretendo mudar isso. Este, como quase sempre, foi-me dado pela Estrelinha* e pela DC e eu estou-lhes muito agradecida :)


As regras são:
1. Exibir o selo;
2. Indicar o nome e o link do blog que nos deu o selo;
3.
Indicar outros 5 blogs:
- Kate Rose *
-
Sra. Muito me contas
-
FénixCaída
-
Patrícia
- Flutua Comigo
4. Dizer o sentido que melhor me descreve: Visão.
5. Para cada sentido, escrever a resposta para as perguntas:
- Audição: Qual o som que gostas mais de ouvir? A chuva a cair.
- Visão: Qual a tua imagem favorita? O sorriso de uma criança.
- Tacto: O que gostas mais de sentir na pele? O toque daquela pessoa especial.
- Paladar: Qual o teu sabor preferido? Chocolate e menta.
- Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem? O cheiro dele entranhado nos meus lençóis, na minha roupa, na minha pele, em mim.

Dá-me a tua mão

Talvez se as circunstâncias fossem diferentes, tudo fosse mais fácil. Mas é esta a realidade. E acho que apesar de sermos de mundos diferentes, podemos fazê-lo resultar. Parece-me um pouco impossível quando tu à maior adversidade que encontras, preferes afastar-te e tentar destruir tudo. A mim, parece-me que precisas de ter mais fé em nós. Não quero que isto pareça um simples amor de Verão quando nós ambos sabemos que é bem mais do que isso. Estou-te a pedir pela última vez que, por favor, me dês a mão. Quero fazer disto algo diferente, quero dar-lhe um final feliz. Tenho a certeza de que se quisermos, vamos conseguir.

Não vale a pena remexer no passado

Ao longo destes últimos meses tens-me perguntado muito Como é que nós fomos acabar assim?. Já não é a primeira nem a segunda vez que te explico. Eu tento fazer-te sentir melhor e dizer que a culpa não foi tua, que se não tivesses sido tu, provavelmente outra coisa nos teria separado. É difícil fazer-te acreditar em algo que nem eu própria acredito, mas a intenção é boa.
Tu próprio sabes a resposta à tua pergunta. Sabes que tudo começou quando as tuas dúvidas em relação ao que sentias por mim surgiram. Tantas vezes tentei agarrar-te e fazer-te perceber que aquilo que estavas a fazer era errado, que me amavas e que mais tarde te irias arrepender da tua decisão. Já tinhas as tuas prioridades estabelecidas, não me deste ouvidos, só agora vens confirmar que fui sempre eu quem teve razão.
Mas é tarde demais. Como tu próprio disseste, sabes que as tuas doces palavras já não me afectam. Mas há qualquer coisa dentro da tua cabeça, dentro do teu coração que te faz continuar a humilhares-te desta maneira. Tal como havia algo em mim que não conseguia simplesmente deixar-te para trás.
Todas as oportunidades que te dei para fazeres o que estava certo, desperdiçaste-as todas. Cheguei a um ponto em que não conseguia mais continuar a sofrer com as nossas tentativas. Por muito que me custasse na altura, tive que seguir em frente. E consegui, tal como tu um dia também irás conseguir.
Disseste que já não tens nada a perder, que a única coisa que te resta é acreditar no tal destino de que uma vez falámos. Nunca te falei em destino nenhum. Falei-te em verdadeiro amor, é nele que acredito. Porém, não creio que seja isso que existe entre nós. Foi apenas o meu primeiro amor a sério, e as únicas coisas que restam dele dentro de mim são as recordações, boas e más.
Um dia, vamos encontrar-nos na rua e ficar a olhar um para o outro sem saber o que dizer ou o que fazer. Agora, precisamos de deixar este assunto morrer. Os meus olhos secaram, as lágrimas para ti acabaram. Podes dizer tudo o que quiseres, já nada me importa. Quero encerrar este assunto de uma vez por todas. Prometo a mim mesma que nunca mais voltarei a escrever sobre ti. Já não me dizes nada.

In your brown eyes

Ela entrou no salão de festa, todos os olhares se desviaram para ela. Ela sabia que havia várias pessoas que a seguiam com os olhos, mas nenhuma delas a incomodava. Conhecia-as, uma por uma. O que ela não sabia era que uma parte delas também a conheciam, melhor do que ela alguma vez imaginara.

O que é que se passa? Nada.

Mesmo depois de ter passado quase o dia inteiro a chorar, sem conseguir fazer algo que não me lembrasse do quão feliz eu tinha sido. Tu chegas e olhas para mim, reparas nos meus olhos inchados e vermelhos de tanto chorar, e na tua maior inocência perguntas: Está tudo bem contigo? Eu minto com todas as forças e digo que sim. Mas a imagem da pessoa parada à tua frente diz-te precisamente o contrário, insistes: Passa-se alguma coisa? Desta vez tudo o que ganhas é um fraco aceno com a cabeça em sinal de não. A tua teimosia parece não me querer deixar levar a melhor e voltas a perguntar: Passa-se alguma coisa comigo? Connosco?

E com essa pergunta, acabaste de bater no fundo. Solto toda a raiva e ódio que tenho na minha alma e respondo: Nada. Não se passa nada. Nunca se passou nada e nunca se irá passar. Respondes Ainda bem, viras costas e afastas-te. Mais uma vez, claramente não percebeste.

The Same Old Story

li esta história, já conheço o seu final. Já vi todas as cenas até agora, não vale a pena continuar a virar as páginas. Deixar de virá-las parece-me o mais acertado, assim poderia imaginar o meu próprio final feliz e era escusado sofrer novamente com um final que não me agrada definitivamente.
Estou farta destes romances sádicos, será que as personagens principais se divertem mesmo com isto? Um ' isto ' que nem chega a ser um romance, é apenas mais um livro cheio de mentiras no qual as personagens decidem brincar umas com as outras.


Não é justo para esta borboleta que a apanhes, brinques com ela e que depois a queiras soltar como se nada tivesse acontecido, como se nunca a tivesses apanhado. Deste-lhe vida, quem te disse que isso te dá o direito de a tirar agora? Para além disso, as asas da borboleta estão partidas e tu sabes bem que asas partidas não voam.
Mas tudo o que ela quer é voar para longe, ficar contigo já não lhe parece bem. Então decides que a borboleta não te vai fazer perder mais o teu tão precioso tempo. Vê-la usar o seu último fôlego para pedir ajuda. Por favor, alguém que me dê a mão e que me ensine a voar de novo. Por favor, alguém que me venha salvar. Ninguém aparece. A pobre borboleta jaz no chão por debaixo daquele tronco de onde tu a empurraste.

Quem disse que nunca era tarde demais?

Já nada é como era antes, tu já não és igual a ti, eu já não sou igual a mim, nós já não somos nós. Finalmente, deixou de existir um nós e eu sinto-me feliz por isso. Consegui ver-me livre das correntes que ainda me aprisionavam a ti. Ofereceste-me o teu amor, desta vez sem impor quaisquer condições. Achei um acto correcto e lindíssimo da tua parte, mas deixei de o poder aceitar. E fui egoísta ao sequer pensar que me podia aproveitar de ti e da nossa amizade assim. O que interessa é que consegui finalmente abrir os olhos e ver que esta situação não é justa para nenhum dos dois. Tenho pena que já venhas tão tarde, a sério que tenho, mas já nada posso fazer a respeito disso. Podias-me ter feito tão feliz, podia ter-te feito tão feliz. Parece que fomos casmurros demais para aceitar as diferenças, enfrentar os problemas e seguir em frente. Destruiu-se tudo definitivamente, não há mais volta a dar.



Amo-te, não vou pôr condições ao meu amor por ti e agradeço que tu também não o faças.

Um dia o que estava perdido pode ser encontrado

Algures durante a minha curta existência, perdi-te. Não sei em que circunstâncias, mas sei que aconteceu. Arrancaste-me o coração e desta vez levaste-o para bem longe de mim. Demorei tanto tempo a recuperá-lo, mas finalmente consegui. A auto-estima que eu ainda poderia ter foi-se embora. A réstia de confiança que tinha em ti deixou simplesmente de existir. Em vez disso, ficaram apenas maus sentimentos como o meu desgosto, a minha mágoa e, parecendo que não, também algumas saudades dos velhos tempos. Mesmo depois de tudo o que me fizeste, eu queria continuar a ir atrás de ti, procurando-te de casa em casa, se fosse necessário. Estava também curiosa para conhecer o teu novo lar, o sítio onde desta vez tinhas ido parar. Olhei para o céu, as condições não eram as mais favoráveis, mas isso só me tornava mais emocional, mais carente. Nunca tinha sentido precisar tanto de ti, precisava de te encontrar. Encontrar para sempre, um até logo já não me bastava. Saí para a rua e comecei a andar... De repente, começou a chover. Lembro-me de ainda ter pensado "bem, que se lixe", afinal estava um pouco longe de casa e o meu cabelo chegaria lá encharcado de qualquer das maneiras. Fiquei então ali, parada, à chuva. Era fantástico sentir algo escorrer na minha face para além das minhas lágrimas que quase todos os dias, ao pensar em ti, me inundavam o rosto. Ainda bem que lá fiquei, sabes porquê? Porque nesse dia de Inverno chuvoso, encontrei-a a ela. Há muito que andava desparecida, as saudades já eram tantas que começava a desesperar por não lhe pôr a vista em cima há algum (muito) tempo. Naquele preciso momento, soube que tinha encontrado aquilo de que precisava. Não podia mais esperar, chorar e desejar que a minha vida acabasse. Naquele dia, eu voltei a encontrar a minha esperança. A esperança que há muito se tinha perdido!

O comboio partiu

"É como se estivesse a correr atrás do último comboio, quando é tarde de mais. É tarde de mais para tudo."
Estou sentada no chão, com o vento a bater-me nas costas, as lágrimas agora misturadas com a minha maquilhagem escura escorrem-me pela cara. É mais um daqueles dias em que o meu cabelo acordou tão estúpido que por mais que tente, ele teima em não me sair da frente dos olhos. Procuro por um elástico dentro da minha mala, cheia de tralha, nada. Como sempre, não encontro nada. Desisto.
Olho para o relógio mais uma vez, há quarenta e cinco minutos que estou aqui sentada à espera que o comboio passe. Parece que hoje resolveu demorar-se, se fosse só hoje... Começo a pensar em desistir e ir a pé para casa, sei que vou ter um longo caminho a percorrer, mas não é isso que me assusta. É que a vida está cheia de atritos e não me apetece ter que os ultrapassar mais uma vez. Vou ser cobarde e fugir, como nunca antes tinha feito.
Talvez o comboio tenha passado há pouco tempo e eu não o tenha sentido, pois o meu cabelo não me permite ver e estava demasiado ocupada com os meus pensamentos para reparar. Ouço o barulho de um motor atrás de mim, viro-me quase que instantaneamente. Um carro pára atrás de mim, o condutor abre a janela do lado do passageiro e chama-me. Afasto novamente o cabelo dos e dou mais uma vista de olhos ao relógio.
Não vou esperar pelo último comboio, pois para mim é já tão frio e tão tarde. Se a situação fosse contrária, o comboio não esperaria por mim! Sigo até ao descapotável que parou por trás de mim, olho o condutor nos olhos, aceno com a cabeça e entro dentro do veículo. O pobre homem põe o pé no acelarador e arranca, olho para o lado e vejo o último comboio passar sem sequer se importar. Desta vez, não vou a correr atrás dele!

Prefiro o meu cão

Um dia, ia eu no meu caminho para casa quando conheci um cão rafeiro. Demo-nos logo muito bem, depressa nos tornámos grandes amigos. A nossa relação crescia de dia para dia, parecia que já nos conhecíamos há imenso tempo. Cheguei ao ponto de já não conseguir imaginar a minha vida sem esse cão. Sabia que ele sentia o mesmo em relação a mim.
Mas o pobre cão começou a mudar, começou a ficar estranho, rebelde. Já não queria a companhia da humana que durante tanto tempo o tinha acompanhado e resolveu que já não precisava dela, tinha encontrado pessoas melhores. Então um dia, resolvi partir.
Não sabia para onde iria, tinha a certeza de que algo melhor haveria de encontrar no caminho. Segui em frente, tropecei em rochas e em rochedos, mas de todas as vezes me levantei e arranjei forças para continuar a caminhar. Num belo dia, algures no meio desse caminho, conheci um Husky lindo.
Sabia que nunca iria gostar desse Husky tanto quanto gostava do cão rafeiro, mas resolvi tentar. A nossa relação desenrolou-se melhor do que estava à espera. E uma vez, estava eu a descansar ao lado desse cão tão poderoso. Quando ouvi um ganir vindo do fundo do caminho, aquele que eu tinha resolvido seguir em frente. Depressa me apercebi que era o cão rafeiro quem gania. Tinha percebido a asneira que cometera ao mandar-me embora e estava agora a pedir perdão.
Expliquei a situação ao tão belo Husky, penso que ele até hoje ainda não compreendeu a minha situação, mas eu tinha de voltar para trás. O rafeiro que eu tanto amava ansiava por mim. Ao chegar perto dele, por momentos ainda pensei que tudo pudesse voltar a ser como era antes de tudo aquilo acontecer, mas o rafeiro voltou a aperceber-se que se calhar não precisava assim tanto de mim. Mais uma vez, resolvi partir!
Ia eu no meu caminho de sempre, acabada de enfrentar a realidade em que vivia, quando me deparei com um lobo selvagem. Olhei nos seus olhos e percebi que ele precisava muito de mim, resolvi ficar com ele. A nossa relação desenvolveu-se a olhos vistos! Era difícil estarmos um sem o outro. Todas aquelas noites de lua cheia passadas ao seu lado, vendo-o uivar pareciam simplesmente perfeitas.
Mais uma vez, comecei a ouvir o ganir desesperado do cão rafeiro. Que quereria ele agora? Entendi quando ele disse que queria que eu voltasse atrás, que voltasse para ele. Mas aquele cão já me tinha enganado tantas outras vezes, porque seria diferente desta vez?
Os dias passaram, e aquele assunto continuava sem me sair da cabeça. Acho que precisava de desabafar, então contei ao lobo o que realmente se passava. Ele entendeu tudo ao contrário, pensou que eu queria voltar para o meu rafeiro. Talvez até quisesse, mas sabia que desta vez não o podia fazer. O lobinho selvagem deixou de me prestar atenção, agia como se eu não vivesse no mesmo sítio que ele, como se eu tivesse deixado de existir.
Então, numa bela manhã de sábado resolvi partir em direcção ao meu passado, tinha medo do que mais poderia encontrar se tivesse continuado em frente no meu caminho. Sabia que não podia voltar de novo para o cão rafeiro, por muito que ele implorasse.
Estava já tão cansada e tão fraca. As minhas pernas tremiam, temia nunca mais voltar a curar-me da tal doença que era o amor. Não tinha forças para continuar a andar, doía-me todo o corpo, doía-me o coração de ter amado tão desesperadamente. Resolvi então deitar-me em cima de um desses rochedos que antes me tinha feito tropeçar e cair. Fechei os meus olhos, respirei calmamente, sem pressas. Abri-os e olhei para o céu, reparei que o sol tinha-se ido embora há muito tempo atrás e que ameaçava nunca mais voltar. Fechei os meus olhos de novo, desta vez sabia que podia estar em paz. Sabia que podia descansar sem que ninguém se metesse no meu caminho, nunca mais.

Sempre aqui

A vida é fantástica, não há lugar para dúvidas quanto a isso. Quantas vezes já não passamos por um momento em que dizemos para nós próprios "Sou a pessoa mais feliz do mundo"? Quantos foram os infelizes que (não) passaram pela vida a correr, para agora mais tarde ao relembrarem um momento ao qual nunca teriam dado importância, desabafarem consigo mesmos dizendo "Fui a pessoa mais feliz do mundo"?
Quando todo o mundo se volta contra mim, quando já nada parece perfeito, quando o sol que brilhava por cima da minha cabeça se esconde, quando o inferno resolve descer à terra, quando o meu mundo deixa de me pertencer, quando tudo o que era lindo e maravilhoso resolve desaparecer... O que é feito de mim? O que é feito de mim nesses momentos?
Aí apareces tu, de braços abertos pronto a acolher-me, de ouvidos bem apurados prontos a ouvir-me com toda a tua atenção, de olhos tão generosos que quase poderião chorar comigo, de cérebro pronto a pensar em arranjar motivos para que eu não me sinta mal, de coração aberto para me ouvires com toda a paciência que possuis. E dessa tua boca tão expressível, tão capaz de demonstrar sentimentos, ouço sair com prontidão um "Que se passa amor?".
Digo nada, mas tu insistes, persistes e não desistes até que eu te conte o que realmente me vai na alma. Depois tentas arranjar motivos para me mostrares que eu afinal presto, ao contrário do que a maior parte das pessoas diz, e algures no meio de tudo isso, eu volto a arranjar forças para começar um novo dia.
Um novo dia em que tu não vais querer que eu diga mais disparates, um novo dia em que me vais voltar a explicar o quão importante eu sou para ti, um novo dia em que me vais levantar a auto-estima e levar esta dor no coração para longe de mim.
Mais um dia em que eu te vou amar louca e perdidamente, mais um dia em que te vou tentar explicar o porquê de não poder voltar atrás, voltar para ti.

Aquilo que te diria se não estivesse cansada de o repetir

Falei, falei, falei. Fartei-me de tentar falar contigo, cheguei à conclusão de que nunca me ouvirás. Só vais perceber no que te meteste, quando bateres no fundo. Dizes sempre que eu nada sei, que só quem se encontra por dentro do assunto é capaz de compreender o prazer que isso te dá. Diz-me onde é que esse mundo é melhor do que aquele que eu te poderia oferecer?
Tentei não ter que te fazer escolher entre uma coisa e outra, mesmo assim tomaste a tua decisão. Mas não foste o único a descobrir algo novo na tua vida, eu descobri que não consigo viver sem ti, mas que também não consigo viver contigo sabendo essa vida que levas. Não quero passar o resto dos meus dias preocupada contigo, sem saber o que estás a fazer, se estarás bem. Queres viver a vida louca, sabes que não podes contar comigo.
Dizem que os amigos estão sempre connosco nos bons e nos maus momentos, que nos devem apoiar sempre. Desculpa meu querido, mas não sou capaz de te apoiar nessa tua decisão. Mesmo assim, não sou capaz de simplesmente te deixar ir.
Todo o mundo diz que a vida é tua, que se tu te quiseres matar a decisão é tua e ninguém tem nada a ver com isso. Para mim, isso não é bem assim. As pessoas dizem isso porque não sabem o que é ter medo de se perder alguém que tanto se ama. Amo a tua vida muito mais do que amo a minha própria vida. Sabes de tudo isto, e por isso vejo isso como um acto de puro egoísmo. Será que não pensas em mais ninguém para além de ti?
Apetece-me dar-te um abanão para que acordes e vejas o que tens andado a perder. Sei que não sou muito, mas sou uma pessoa real, tenho sentimentos. E sei que por baixo dessa cortina de fumo que te enubla o coração também me amas. Apenas escolheste não dar importância a esses sentimentos para que não te magoasses.
Apesar de tudo, sabes que não vai ser tarde demais quando o fumo sair da frente porque eu vou continuar aqui de braços abertos, pronta para te acolher de novo. Por favor, não deixes que isso estrague tudo o que de bonito a nossa relação poderia ter. Amo-te.

Comecei hoje a fazer uma lista de desejos,
Curiosamente, quase quatro anos depois de te ter conhecido
O primeiro desejo da minha lista
Continua a ser o mesmo.. Tu!


E pensar que por momentos o realizaste $:

Amo-te mais que tudo isto

Possuis os olhos mais bonitos que eu já alguma vez vi.
Quando me beijas, sinto a cabeça a andar à roda.

Sabes há quanto tempo eu não sentia isso?
Quando me abraças, espero que não me largues.
Fico a cheirar a ti cada vez que te deixo.
Sabes o quanto eu adoro isso?

Na despedida, beijo-te a correr.

Sempre na esperança que me agarres e digas:

"Hoje não vais, hoje ficas comigo"
Sabes o quanto eu iria apreciar isso?

Entrelaças os teus dedos nos meus
Com medo que eu te solte a qualquer momento.

Será que sabes que não precisas de ter medo disso?

Be the one

E ali estava ele, encostado à porta de entrada do supermercado. Era tudo o que eu tinha imaginado e ainda mais.
Nunca tinha visto olhos tão bonitos quanto aqueles, eram como que de um azul acinzentado que dava até vontade de mergulhar neles. Nunca tinha visto um cabelo loiro tão bonito quanto aquele, até porque normalmente os loiros não me interessavam muito. Tinha preferido sempre morenos. Nunca uma barba por fazer de dois ou três dias me tinha deixado tão fascinada, apesar de já ter estado antes com outros homens assim.
Não sei o que se passava comigo, mas era realmente interessante a maneira como aquela pessoa me deixava tão excitada. Por mais homens com quem eu já tivesse estado, nunca nenhum me tinha deixado assim.
Talvez aquele não fosse um homem qualquer. Aquele não era um homem qualquer. Era o meu homem, o meu futuro homem. E o mais fantástico é que o melhor nele não era o aspecto físico. As pessoas bonitas a que estava habituada a ver, não tinham nada no seu interior. E por vezes, as menos atraentes exteriormente possuíam um coração bem maior. Mas ele era diferente.
Cheguei a pensar que aquilo era tudo fruto da minha imaginação muito fértil. Tal homem não podia existir, não podia ser real. Belisquei-me, uma e outra vez... Ali continuava eu, a olhar para aquele pedaço de carne que era uma verdadeira tentação.
Era o primeiro 'pacote completo' que conhecia e estava receosa em relação à aproximação. Ele já me conhecia tão bem, e eu a ele. Agarrando-me à ideia de que o meu aspecto físico não o iria desiludir, avancei. Estávamos apenas a uns sete metros de distância, mas os segundos que demorei a chegar perto dele pareceram infinitos. O meu coração batia tão rapidamente que parecia querer saltar-me do peito, pelo meu cérebro corriam milhões de imagens e abordagens possíveis.
Creio que não consegui fazer passar a imagem da minha calma. Cheguei ao pé dele, e espetei-lhe um beijo na boca. Nunca na minha vida, esperara fazer aquilo a um corpo que desconhecia. Sim, só corpo. Não sei porque o fizera, nada nas conversas que tivemos me indicara que o devesse mesmo ter feito, mas fiz. Olhei depois para ele embaraçada e a reacção que vi nos seus lindos olhos, não era de todo a que esperava.
Resolvi acabar com aquela confusão e à espera de ter a confirmação, perguntei bem baixo ao seu ouvido "Que estás aqui a fazer?".
- Estou à espera...
- Muito bem, podes parar de esperar. Eu estou aqui!
- Não...
- Então? - não conseguia compreender o porquê de tal reacção. Quando o beijei esperava que ele tivesse retribuído ou que tivesse dito alguma coisa contra. Em vez disso, a reacção dele foi de total indiferença, completamente nula.
- Estou à espera de outra pessoa.

Um sonho perfeito se tornado realidade

Há cerca de um mês atrás tive um sonho. Um sonho diferente. Um sonho que realmente me pôs a pensar no significado dos sonhos e se se poderiam realmente tornar realidade.

No meu sonho, tu aparecias do outro lado da rua com o teu ar de superioridade ao qual eu já estou tão habituada. Chamaste-me e eu estranhei. O que é que me quererias? Não podiamos ser considerados amigos sequer. Tinhas alguma coisa para me dizer e eu sabia, por isso avancei em direcção a ti, tal como já tinha feito tantas outras vezes no passado, só para te abraçar. Desta vez era diferente, o nosso amor não estava assumido, não tinhamos uma relação. Cheguei e cumprimentei-te com um tímido "Olá." seguido de um tão já usual "Que é que queres?".

Apressaste-te a falar como se tivesses um compromisso marcado. Talvez tivesses um encontro escaldante com mais uma daquelas raparigas que tinha ficado fascinada contigo. E só de pensar nisso, arrepiei-me. Ao que percebi daquilo que tu despejavas da boca para fora, estavas a dizer que ia haver uma saída em turma, como nos bons velhos tempos. De súbito, alegrei-me ao recordar os momentos em que ainda eramos felizes juntos. Perguntei-te porque me perguntavas isso enquanto perguntava a mim mesma porque estarias tão interessado em que eu fosse.

Digamos que disseste aquilo que eu não esperava ouvir e aquilo que era metade do que eu queria ouvir vindo da tua boa. "Ouve miúda, eu gosto de imensas miúdas, mas é óbvio que vai haver sempre aquela que me marcou mais, que bateu mais forte". Não parei para notar o quanto aquela última oração tinha sido preversa, resolvi tentar deixar-te sem saber o que dizer com "Eu gosto imenso de imensa gente, mas continuo a só amar uma pessoa. E sabes bem que és tu!".

Afastei-me depois, apenas porque me obrigaram. A Liliana que reclamava atrás de mim por já estarmos atrasadas para irmos comer, puxou-me. Talvez ela o tenha feito pelo melhor motivo, talvez quisesse que eu não voltasse a relembrar o grande amor que sentia por ti após aquele sonho! Mas se era esse o objectivo da Lili dentro daquele tão delicioso sonho, devo informar que ela falhou. Como se toda aquela agonia e sede de te amar não fosse suficiente, ouvi-te dizer qualquer coisa. Quando pedi para repetires, o barulho dos automóveis que passavam entre nós abafaram o som mágico das tuas palavras.

Acordei repentinamente logo após isso. Apetecia-me gritar ao mundo inteiro o quanto te amava e o quanto queria ser feliz contigo. Não o fiz, limitei-me a contar a uma ou duas amigas o que tinha sonhado contigo na noite anterior. Disseram-me que eu era parva e perguntaram-me se eu já te tinha contado. Que ideia parva que me foram dar! Escrevi "Sonhei contigo a noite passada :)", mas parece que foi mais uma daquelas mensagens de msn que não foram entregues ao destinatário. Não voltei a falar nisso, a tua oportunidade de saberes o que se tinha passado dentro da minha cabeça tinha expirado.

Continuei curiosa sobre o que me quererias dizer naquele sonho. Continuei curiosa sobre o significado daquele sonho em si. Perguntei a mim mesma se também tinhas tido algum daqueles 'feelings' de que tudo poderia dar certo, de que tudo poderia vir a ser tão ou mais perfeito que antes. Até agora não obtive nenhuma resposta e creio que não vou obter.

Tudo não passou de um regresso às memórias do passado em forma de sonho. Porém, amei-te e continuo a amar-te. Pode ser que um dia me encontres. Até lá, espero que o meu destino me tenha reservado um futuro menos sofredor.

Eu tenho alguém

Eu tenho alguém sobre quem me apetece escrever.
Alguém real. Alguém especial. Alguém único.
No entanto, ainda não vou escrever sobre esse alguém.
Vou esperar um tempo e ver o que acontece...

Rebound guys

What should you do when you find yourself falling in love for the second time and you didn't completely forget your ex-boyfriend? And then you start thinking "Am I in love again?" or "Is this my rebound guy?".
Gosh, what should you do when everyone around you, especially the older ones say that you will never forget your first love, that you will always be comparing him to your next boyfriends. Then someone come and say "Are you over your boyfriend?". What should you say? "Yeah, I'm over him!" or "Nop, I still think about him every single day." And then you finally say "Hum hum, I moved on.", but in fact, you didn't.

O verdadeiro fogo que arde sem se ver

Isto perturba-me psicologica e emocionalmente. Há algo que sempre me consome por dentro, independentemente das suas causas ou da situação em que me encontro. De dia para dia, sinto-o crescer dentro de mim. Cresce tanto que fico a pensar nas consequências que isso terá no futuro, poderei deixar de ter amigos por causa deste peso que carrego?
Talvez ser do signo escorpião influencie tal sentimento. Mas isto está a chegar a um ponto, que se ele não me matar a mim, mato-o eu primeiro. Não o consigo supostar mais, transporto-o comigo à demasiado tempo para conseguir permanecer com ele, e afeiçoei-me tanto a ele que acho que já não conseguiria deixá-lo ir. Faz parte de mim, parte da minha personalidade. Assim como ao dia pertence a luz e à noite a escuridão.
Às vezes nem é preciso eu gostar da pessoa que o provoca, basta que essa pessoa se mostre interessada em mim e eu me habitue a isso. Se o sinto a arder dentro de mim nestas situações, não quero imaginar o que poderia fazer no caso de eu gostar mesmo da pessoa em questão. Talvez até fosse capaz de cometer homicídio, ou talvez suicídio. Liberto-o à minima coisa e mostro-o descaradamente sem ter que pensar duas vezes, afinal sempre me ensinaram a dizer aquilo que penso. Por vezes, ele fala até mais alto que eu mesma.
Nesses momentos, tento acalmar-me, tento dizer para mim que tudo vai ficar bem, que não o posso nem o vou deixar consumir-me, quer seja rapida ou lentamente. Tudo vai ficar bem. Só preciso de encontrar alguém que apare aquilo que cresce dentro de mim que nem ervas daninhas, ou talvez precisamente do contrário. Talvez precise de alguém que também o possua dentro de si, tão aceso quanto o meu, tão disposto a cometer uma loucura por ele quanto eu. Assim, podia ser que talvez aprendesse a dizer 'basta', mas por agora não consigo. Parece que vou ter que me começar a habituar à ideia de ele me permanecer dentro de mim, uma vez mais. Não há nada a fazer, o ciúme consome uma pessoa.

Expectativas e perspectiva do passado

Tal como todos nós sabemos, a vida é feita de bons e maus momentos, de momentos perfeitamente normais e de momentos um pouco mais estranhos. Provavelmente, toda a gente já amou, pelo menos uma vez, já teve que perdoar alguém e esquecer, e as pessoas com mais sorte até podem voltar a amar.
Já amei, já estive perdidamente apaixonada por alguém, que pelos vistos não me soube dar valor. Já perdoei inclusive, mas não sei se algum dia vou ser capaz de esquecer. Porque não te bastou a dor que o nosso amor deixou, não te contentaste enquanto não me disseste coisas que saberias que me iam pôr em baixo, a mim e à minha auto-estima! Se soubesses o quanto te enganaste querido...
Agora volto a sentir todas estas sensações outra vez. Desta vez experimentadas com alguém muito parecido comigo, talvez até demais.Começo a pensar no que poderá acontecer no futuro com esta pessoa. Com esta rapariga que foi a mulher mais linda que eu já vi neste mundo, pelo menos ao vivo! É especial... Muito. Eu sei que vai ser complicado, principalmente de assumirmos, mas nem sempre precisamos de falar para percebemos o que a outra pessoa nos transmite.
Minha cara, mesmo que nunca queiras admitir, nunca te esqueças que sentiste, sentiste tanto ou melhor que eu. Quer queiramos quer não, foi especial, devemos confessar. Mais fantástico é ter sido uma coisa mútua, aquele agarrar de mãos no cinema, juro-te que se não estivéssemos rodeadas de pessoas minhas conhecidas, te tinha beijado, logo ali. O teu olhar pedia, os teus gestos pediam, o teu corpo chamava por mim. Espero que entendas o quanto me estou a odiar agora...
E que percebas que quando uso o verbo odiar contigo, nunca é realmente verdade. Significa sempre precisamente o contrário. Vamos agora aguardar, um pouco de cada vez. Só para que possamos ver aonde isto nos leva. Quero ter a certeza daquilo que sinto, quando o sinto e por quem o sinto!

Castidade?

Não será a castidade uma questão de encontrar o amor verdadeiro?
Porquê entregarmos a qualquer um o que podermos entregar a alguém que realmente signifique alguma coisa para nós e que nos faça ver o quanto somos importantes?
Não é todos os dias que perdemos a virgindade e como tal, não a podemos entregar a qualquer um. Há que esperar pelo momento e pela pessoa certa.
Muita gente perante o calor da paixão, entrega-se a qualquer um. Mas não era assim que deveria ser, devíamos conhecer bem a pessoa, amá-la e não apenas desejá-la!
Talvez seja por isso que muitos de nós, ou muitas de nós, porque são principalmente raparigas, fazemos votos de castidade na maior das loucuras, sempre esperando que o príncipe encantado apareça para quebrar com a nossa promessa de virgindade.
Como os príncipes encantados geralmente não existem, muitas de nós resolvem ficar virgens até ao casamento quando terão um homem seguro por um papel assinado, outras resolvem ir para freiras e as mais desesperadas fazem-no com qualquer um, afirmando que o sexo é uma coisa banal.
Já eu, prefiro ficar como estou. Não me quero arrepender mais tarde das decisões que tomei hoje.

Deixa que eu me encoste a ti...

Estava na aula a morrer de dores nos rins, quase a cair para o lado de tanto sonho que tinha e só pensava numa coisa. Em ti, minha linda. Pensava em como irias estar à minha espera algures no meu caminho para casa.
Como te tornaste especial em tão pouco tempo, já me viste de tantas maneiras mesmo... Aquela ia ser só mais uma vez, adoro a maneira como me pedes para ter calma ou quando me agarras para me defender do que quer que seja. Não és uma amiga comum, é isso que o meu corpo me diz quando as tuas mãos tocam em qualquer parte dele que seja.
És tão igual a mim, às vezes fico confusa porque a maior parte das vezes me lês os pensamentos. Ao mesmo tempo, és tão diferente de tudo o resto. Não existe ninguém como tu mesmo. Tens um estilo e personalidade únicos e acredita que isso faz de ti um ser mesmo muito especial.
Não há um dia em que eu não pense em ti, não há um só dia em que eu não anseie por sair da escola para estar contigo. Invades-me os pensamentos e acho que agora o meu coração. Só peço que aconteça o que acontecer, daqui para a frente, vamos sempre manter a nossa amizade como pelo menos base de tudo o que poderá vir a seguir.
Nunca na minha vida pensei ser tão lésbica ao ponto de pensar assim sobre alguém. Mas a verdade é que não és só uma amiga, não és uma melhor amiga, nem tão pouco uma irmã. És uma espécie de amor platónico, que eu sei que nunca terei por completo. Mas essa é a verdade querida.
Não te peço assim muito, só peço que deixes que eu me encoste a ti. E agarra-me, agarra-me por favor, como se nunca mais me pudesses voltar a agarrar. Aperta-me bem apertadinha e nunca me deixes ir embora. És tudo aquilo que eu preciso, V.

Aposta no Pretérito

Desejei demais aquilo que sabia não poder voltar a ter. Quis acreditar que tudo podia voltar a ser como antes, quis acreditar que podia voltar a ser feliz com a mesma pessoa que tanta felicidade no passado me trouxe.
Como me enganei! A pessoa que eu amo deixou de existir, o seu nome e corpo permanecem os mesmos, porém já não é a mesma pessoa que se passeia no seu interior, a pessoa com a personalidade que tanto me cativou.
Já não existe nele aquele ser humano por quem eu daria a vida, em vez disso tornou-se em alguém que eu sempre odiei, e em alguém que eu sempre temi que ele se transformasse. Mesmo assim, continuei a acreditar que com um esforço de ambos tudo poderia voltar a ser igual. Não podíamos estar assim tão diferentes... E na verdade, acho que até nem estamos.
O único problema é que já não somos apenas nós nesta relação, os seus amigos também estão envolvidos, e eu sei que eles nunca gostaram nem um pouco de mim. Nunca tinham influenciado o amor da minha vida, mas desta vez acho que conseguiram. Fizeram-no ver-me com outros olhos, ver-me como alguém que eu não era, que eu não sou.
Quando este rapaz acordar, já vai ser tarde demais e eu não estarei aqui para ele como sempre estive. Depois o arrependimento e a culpa chegarão e tenho a certeza que mais uma vez vou ser louca o suficiente para voltar, voltar a sofrer por este amor. Até lá, vou continuar o meu caminho tentando descobrir quem sou, quem irei ser. Mas só levo comigo as pessoas que estiverem dispostas a tal coisa, não quero que ninguém se arrependa a meio da viagem.
A pessoa por quem eu me apaixonei à primeira vista morreu e vou deixar o meu amor por esse alguém morrer também. Não vai ser complicado, apenas tenho de começar a dizer o verbo amar no passado.

Passado ou futuro?

Será que vale a pena trocar um futuro imprevisível por um passado maravilhoso? Talvez sim, talvez não.
A verdade é que nunca saberemos o futuro. Absolutamente ninguém pode prevê-lo, apesar de haver imensas bruxas e ciganas espalhadas por este país fora. O destino é feito à medida que tomamos as nossas próprias decisões. Que escolhas fazer? Que decisões tomar? A única coisa que podemos fazer é seguir os nossos instintos e ouvir o som do nosso coração.
O que acontecerá quando nem o som do nosso coração conseguimos escutar? Ficamos sem saber o que fazer ou que caminho seguir.
A única coisa a fazer é apostar. Apostar naquilo com que queremos ficar, segundo o nosso coração. Apostar na nossa felicidade em primeiro lugar, mas é claro que também é preciso pensar na felicidade de quem nos rodeia, mas só de quem realmente importa! Ou seja, os amigos verdadeiros...
Apesar do passado por vezes me parecer completamente ultrapassado, penso que prefiro apostar nele em vez de apostar num futuro que poderá nunca ser mesmo futuro! O passado foi fantástico e eu quero que continue...

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