Objecto inanimado com sentimentos?

Ao contrário de ti, ele não fala, mas isso evita que ele diga porcaria como tu muitas vezes disseste. É claro que é deprimente e desesperante o facto de ele não conseguir pronunciar uma única palavra, principalmente quando eu mais preciso dele, mas tu também não me confortaste quando eu mais precisei de ti.
O seu silêncio acaba por ser de facto, reconfortante. É bom saber que ele está aqui do meu lado todas as noites. Ouve-me chorar, sente as minhas lágrimas caírem sobre si quando o abraço apertadamente, mas não reclama. Não acha que é idiota e inútil chorar, não me acha falsa nem ridícula por isso. Pelo contrário, ele sabe o quanto as minhas próprias lágrimas me consolam.
Apesar de ele não falar, eu não hesito em desabafar com ele. O mais interessante é ver que quando eu abro a boca para o fazer, ele não foge a sete pés, mas permanece bem pertinho de mim. A ele, ainda não lhe faltou a paciência para me aturar como falta a todo o mundo mais tarde ou mais cedo, como te faltou a ti.
Ao lado dele, sinto-me segura e aconchegada. Acho que pela primeira vez na vida, consigo confiar em alguém a cem por cento. Sabes porquê? Porque sei que mesmo que a paciência lhe esgote e mesmo que ele fique farto de mim, ele nunca vai desistir. Sei que ele nunca me vai virar as costas e fugir como tu fizeste, deixando-me sozinha a chorar.
Ele é o oposto de ti. Nunca fez promessa nenhuma, mas vai cumprir as promessas que nunca fez. Quando eu me desfizer em lágrimas enquanto grito o teu nome logo à noite, ele vai ficar deitado ao meu lado sem dizer uma única palavra, sem me julgar. E quando eu olhar para os olhos dele, vou perceber mais uma vez que ele me ama e me vai continuar a amar para sempre.



Pela altura em que eu o a amar de volta, ele já terá deixado de ser um peluche e ter-se-á tornado numa pessoa real. Espero eu.

Almost over


Este ano, posso ter tido imensos momentos maus, imensos momentos em que pensei que tudo ia acabar. Mas em todos esses momentos, tive-te a ti. Foste razão suficiente para eu me levantar sempre do chão, para eu ter esperança e acreditar que isto é real. Já te disse imensas vezes que preferia que me tivesses estendido a tua mão para que eu me pudesse levantar mais facilmente, com a tua ajuda, mas não estendeste. Ainda assim, agradeço-te por te teres importado, pelo menos o suficiente para pedires desculpa.
Em 2010, pensei várias vezes que o meu mundo desabara, mas tenho-te a ti. E és tu quem segura o meu mundo, tens a minha vida e o meu coração nas tuas mãos. Obrigada por me deixares fazer parte da tua vida e do teu coração, não imaginas o que isso significa para mim. Aconteça o que acontecer no próximo ano, nunca ninguém irá tirar o lugar que tu ocupas.
Daqui a um bocado será meia-noite, vamos entrar num novo ano. Mas não tenho vontade de celebrar, porque tu não estás aqui. Quem me dera que estivesses...

Não estás aqui, mas eu vou fingir que estás. Quando a contagem decrescente começar, vou fazer de conta que estás aqui a meu lado, bem juntinho a mim, e quando dia 1 chegar, vou beijar-te e prometer-te que o próximo ano vai ser bem melhor do que este que passou. Vou sussurrar-te ao ouvido que te amo, que nunca te vou deixar e que no final do próximo ano já vou poder fazer tudo aquilo que agora tenho que imaginar.


O momento está a chegar. Amo-te e prometo que é para sempre!

Esconde-esconde

Tenho medo de mim própria. Parece que sou um perigo para mim mesma, cada vez que estou aborrecida e pego no computador, começo a procurar coisas que não devo. E sem querer, de tanto as procurar, acabo por as encontrar.
Como o que procuro são coisas más, encontro coisas ainda piores. Depois sinto-me horrivelmente mal por saber aquilo que tu fizeste, por saber que me mentiste durante tanto tempo. Mas a culpa é minha, eu é que ando à procura de problemas, de coisas que nos possam deixar mal e que me façam ficar chateada contigo. Mas a culpa não é só minha, pois não?
Eu até posso ser um pouco masoquista, mas se não houvesse nada para eu descobrir, não haviam motivos para duvidas. Mas pelos vistos, ainda existem bastantes coisas que tu tens que esconder e que eu tenho de encontrar. E se essas coisas existem, então eu tenho todo o direito de duvidar e de achar que tu não dizes a verdade, porque às vezes não dizes.
Mas sabes o que é que é ainda pior do que viver na incerteza e sofrer por causa disso? É sentir-me indiferente aos factos com que acabo de me deparar. Desta vez as coisas que tu escondias de mim não me afectaram. Sabes porquê? Porque eu já sabia que elas lá estavam.

Estou com medo de mim mesma. Alguém que me vende e me prenda as mãos atrás das costas, se faz favor.

Este blog é uma delícia


Este selinho foi-me oferecido pela m* e tem as seguintes regras:

1. Quem é que nunca vais conseguir esquecer?
Todas as pessoas que já passaram pela minha vida e me marcaram de alguma maneira.

2. Alguém comanda a navegação da tua vida?
Nao é alguem, é algo... O amor.

3. Oferecer o selinho a 3 pessoas ou mais.
Paula
Patrícia
Marilena'
joanabranco

4. Comentar o blog da criadora.
Ate comentava, mas infelizmente não sei quem é. Se alguém souber, faça o favor de deixar um comentário com o blog dela.

Cegaste?

Vês-me. Sou uma pessoa perto da perfeição, mais que perfeita, dizes tu às vezes. Sem fazer parte da tua família, sou a pessoa que tu mais amaste em toda a tua vida. Sou o amor da tua vida e nunca te vais fartar de mim. Queres casar comigo, ter um lar e construir família. Sonhamos. Tenho uma forte personalidade, ora doce, ora amarga. Amas-me, odeias-me. Beijas-me, afastas-me. Sou inteligente e esperta. Gostas dos meus olhos e do meu cabelo. Gostas do meu corpo. Sou linda em todos os sentidos possíveis. Sou o teu único interesse e por isso, a tua prioridade. Dás-me toda a atenção do mundo. Queres-me para toda a eternidade.

Vias-me.

Olhas-me. Sou uma pessoa como outra qualquer. Sou só mais uma comum mortal de olhos castanhos e cabelo comprido, também ele castanho. Sou só mais um rosto no meio da multidão. Sou quase perfeita, tenho uma personalidade como todas as outras. Sou chata, aborrecida, implicativa, egoísta, injusta, parva e estúpida. Fartas-te de mim. Odeias-me. Afastas-me. Sonho sozinha. Sou um dos teus principais interesses, estou entre as tuas prioridades. Dás-me toda a atenção que podes (queres). Queres-me, gostas de mim. Estás farto, afastas-me.

Já não vês.

Estreia


Não consigo encontrar palavras para descrever o bater acelerado do meu coração. Na verdade, já nem me lembro bem. Não era a primeira vez que sentia o meu coração bater descompassadamente, mas foi a primeira vez que senti que ele me queria saltar do peito.
Perdida no nervosismo, achei ali a minha última oportunidade de ter tudo aquilo que eu sempre quis de volta. Procurei-te no meio de todos os nossos colegas e lá estavas tu, a conversar e a rir com um deles, como para esconder o medo de enfrentar o público que nos consumia a todos. Fiz sinal ao outro para que se afastasse e não disse nada. Aproximei-me de ti, peguei na tua mão e coloquei-a sobre o meu peito. Estás mesmo nervosa. Pois estava, agora mais ainda. Tinha sentido as faíscas no momento em que te agarrei a mão, sabia que não tinha sido só eu. Nós ainda estávamos vivos, mais ainda do que o meu coração te mostrava naquele momento. Trocámos olhares, desejámos boa sorte um ao outro e virámos costas.
O momento por que tanto ansiávamos chegou. Pusemo-nos nos nossos devidos lugares e olhámos todos uns para os outros com um falso sorriso na cara como uma espécie de sinal de boa sorte. O pano correu. Tirando o facto de tu teres esquecido algumas das tuas falas, a peça correu lindamente sem maiores percalços. O pano correu, olhámo-nos e o pano correu novamente. Agradecemos e esperámos que o pano voltasse a correr. Que experiência fantástica...
Conversavam todos em grupo quando cheguei, sentei-me propositadamente no lugar vazio atrás de ti. Viraste-te para trás assim que me sentei, olhaste-me nos olhos como sabias que eu adorava que fizesses, sorriste para mim durante uns segundos, agarraste-me e beijaste-me. Este é um dos meus momentos favoritos que recordo com especial carinho. Já com um sorriso na cara de novo, perguntei-te Correu bem, não correu? Sorriste-me de volta. Optimamente. Mas está a correr ainda melhor agora que acabou.

Ante-estreia


Era o dia para o qual tínhamos trabalhado durante seis meses inteiros, o dia pelo qual tínhamos esperado impacientemente durante todo aquele tempo. Sabíamos todas as nossas falas de trás para a frente e mesmo assim continuávamos a sentir aquela sensação na barriga de tão nervosos que estávamos.
Lembro-me perfeitamente de como tinham acabado as coisas na semana anterior, era a primeira vez que te via depois de termos destruído tudo, mesmo contra a nossa própria vontade. Estavas diferente naquele dia, estavas especialmente triste. Notava-se bem que algo se passava, notava-se tão bem que toda a gente reparou, mesmo as pessoas que não te conheciam ou que simplesmente não gostavam de ti. Mas eu gostava, mais do que qualquer outra pessoa presente ali ou em qualquer outra parte do mundo.
Apesar de seres o actor principal, tinhas ficado quase toda a manhã deitado num pequeno sofá que lá havia. Tinhas estado a evitar-me durante quase toda a manhã, finalmente ganhei coragem para me sentar ao teu lado e fiz-te a pergunta mais parva do mundo: Que é que se passa? Respondeste-me com outra pergunta no teu tom irónico tão familiar: Que é que achas que se passa? Não sabia o que havia de dizer, olhei para ti e disse: Desculpa. Perguntaste-me porquê visto que ainda no dia anterior achava que não tinha feito nada de mal. Desculpa por ter dito aquilo que disse, desculpa por ter falado daquela maneira contigo... Limitaste-te a dizer um ok, desculpas aceites. Queria perguntar-te se achavas que alguma vez íamos poder estar juntos de novo, mas essa ia ser uma pergunta igualmente idiota. Levantei-me e saí.
O tempo ia passando e à medida que a hora do espectáculo se aproximava e que a plateia se enchia de gente, ficávamos cada vez mais nervosos.
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